A jornalista Maria Abi-Habib, correspondente no Líbano pelo jornal norte-americano New York Times, deu um forte relato no Twitter sobre como estão os hospitais no país após a explosão ocorrida hoje à tarde na capital Beirute.

"[Estou] Entrevistando médicos de emergência em alguns dos maiores hospitais de Beirute e eles estão chorando. O Hospital St. George está destruído", escreveu a repórter.

"Os pacientes desceram as escadas correndo para sair do hospital [após a explosão], porque os elevadores foram danificados. As crianças que estão sendo tratadas de câncer agora estão feridas devido a estilhaços de vidros que voaram [com o impacto] ", acrescentou.

Abi-Habib entrevistou o doutor Peter Noun, chefe de oncologia do Hospital St. George, que disse que os pais das crianças com câncer entraram em pânico. "Com o hospital sendo destruído, eles arrancaram os medicamentos intravenosos das crianças e correram", relatou.

Cerca de 2.750 quilos de nitrato de amônio, substância usada na produção de explosivos e fertilizantes, podem ser a causa da grande explosão. A substância havia sido confiscada e estava sendo armazenada sem o devido cuidado, informou hoje o presidente do Líbano, Michel Aoun.

A situação causou pânico e destruição na região portuária. Uma gigantesca coluna de fumaça pôde ser vista de toda a cidade, relataram testemunhas e a mídia local.

Vitrines de lojas de diversos bairros estouraram e carros foram abandonados nas ruas sem os vidros e com o airbag acionado. Muitas casas perderam suas sacadas. O impacto foi sentido até no Chipre, a mais de 200 km da costa libanesa.

Pelo menos 78 pessoas morreram, informou o ministro da Saúde, Hamad Hassan, e cerca de 4 mil feridos estão sendo encaminhados para hospitais da cidade.

O balanço, contudo, ainda é provisório e os números sofrem atualização em tempo real. Segundo a Cruz Vermelha, 60 feridos estão em situação crítica.