As autoridades norte-americanas aprovaram um plano para que mosquitos geneticamente modificados sejam libertados no arquipélago das Florida Keys, no próximo ano. Uma empresa sediada no Reino Unido fez um projeto que tem como objetivo perceber se os mosquitos alterados são ou não uma solução viável aos pesticidas para controlar a disseminação de doenças como o Zika ou o dengue.

Em maio deste ano, a Agência Ambiental dos EUA concedeu permissão para a experiência à Oxitec, empresa britânica que produz os mosquitos Aedes aegypti machos geneticamente modificados, conhecidos como OX5034. Estes mosquitos são conhecidos por espalhar doenças mortais para humanos, como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.

Só os mosquitos fêmeas picam humanos porque precisam de sangue para produzir ovos. Portanto, o plano é libertar os mosquitos machos modificados e esperar que estes acasalem com as fêmeas selvagens. No entanto, os mosquitos machos carregam uma proteína que mata qualquer filhote fêmea antes que atinjam a idade adulta e possam ser perigosos para os humanos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que metade da população mundial está em risco de contrair dengue, com cerca de 390 milhões de infeções a ocorrer anualmente. No caso do Zika, foi considerado uma emergência internacional em 2016 e a OMS admite que ainda é um “desafio significativo para a saúde pública”.

O projeto-piloto vai avançar mesmo com as críticas de vários grupos ambientalistas que têm alertado para os possíveis danos que a experiência pode causar nos ecossistemas, entre eles a potencial criação de mosquitos híbridos e resistentes a inseticidas. O grupo ambientalista Friends of the Earth critica o projeto. “A libertação de mosquitos geneticamente modificados colocará os habitantes da Florida, o meio ambiente e as espécies ameaçadas em risco desnecessário no meio de uma pandemia.”