O Grupo Gay da Bahia (GGB) emitiu uma nota para repudiar as declarações do empresário Luciano Paganelli, um dos sócios do bloco 'As Muquiranas', após publicações homofóbicas feitas em seu perfil do Instagram no último sábado, dia 27.

Nos post, Paganelli reagiu à campanha publicitária dos Correios da Noruega, que mostra o Papai Noel beijando outro homem. O empresário compartilhou um meme que compara a imagem com a capa da Playboy de dezembro de 2000, que traz a dançarina Carla Perez nua, sendo abraçada por um homem vestido de Papai Noel. "Tempos sombrios. Papai Noel da Minha geração | Papai Noel nessa geração de merda", compartilhou.

Na nota de repúdio, o grupo afirma que o empresário faz parte de um bloco carnavalesco que “ganha dinheiro usando estereótipos da cultura gay e feminina” e que, portanto, deveria ser expulso da composição da diretoria da entidade por destoar da filosofia do bloco. “Seria uma saída honrosa nesse momento de crise de identidade”, sugere o GGB.

Confira nota na íntegra:

O Grupo Gay da Bahia vem a público repudiar as declarações de Luciani Paganelli , um dos sócios do maior bloco de travestidos do Carnaval da Bahia, o qual fez postagem de cunho gayfóbico em suas redes sociais, no último dia 27, conforme divulgado no site Bnews.

O empresário fez uso de expressão discriminatória como “dar o rabo” para fazer referência à campanha publicitária de Natal dos Correios da Noruega que mostra o Papai Noel dando, o que seria, um selinho em outro homem.

O empresário que ganha dinheiro usando estereótipos da cultura gay e feminina ficou indignado com a peça publicitária, que é somente uma paródia, nada mais, porém na sua cabeça de macho gayfóbico fez uma tempestade num copo d’água.

O que ele não sabe, ao que parece, é que quem tem o lugar de fala é o povo escandinavo já que Papai Noel é uma personagem daquelas regiões que formam o Polo Norte.

A licença poética é deles, enquanto os outros povos fizeram apropriação cultural de seus símbolos tradicionais por interesses econômicos difusos.

No mínimo o senhor Luciano deveria respeitar os países donos da marca Papai Noel, pois eles podem usar como quiserem este símbolo. Inclusive o bom velhinho trocando beijocas com quem quiser, ou agarrando os seios de uma dançarina.

A partir desse vexame, o empresário ratifica sua homofobia, ao antecipar que na próxima Páscoa o Coelho da Páscoa, vai ser ” biba-boneca-menina”. Chega a ser doentia tanta destilação de ódio contra gays.

O chocante é espantoso é que Paganelli faz parte de um bloco de travestidos. No mínimo deveria ser expulso da composição da diretoria dessa entidade, porque está em distonia com a filosofia do bloco já que sua gayfobia é muito maior que isso. Seria uma saída honrosa nesse momento de crise de identidade.

Isso nos leva a fazer uma reflexão: as Muquiranas seriam um bloco de Carnaval que teria como ideologia tão somente “esculhambar” o ser feminino, sob a falsa ilusão de homenagem? Porque em tese são homens com trajes e acessórios femininos, embora reproduzam no desfile gestos considerados ofensivos e obscenos, deste modo desqualificando, mesmo no Carnaval, a figura feminina.

Que situações de homofobia explícita, como esta de autoria de Paganelli sirva de alerta à população LGBT, para saber quem é parceiro de verdade e que finge que é, mas é de mentira, apropriando-se de símbolos da nossa cultura gay, mas nos ofendem e não manifestam nenhum compromisso na defesa de nossa cidadania e da democracia.
Grupo Gay da Bahia (GGB).