Nesta quarta-feira (15), a Diretoria Executiva da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Guanambi, emitiu uma nota de repúdio contra o comportamento do delegado da 22ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin), Rhudson Silva Barcelos.

Durante entrevista coletiva para a imprensa, realizada na tarde de terça-feira (14), Rhudson fez alguns comentários considerados inadequados no momento em que falava sobre o duplo assassinato, ocorrido no último domingo (12), em Guanambi.

Em uma das falas Rhudson citou que as roupas que as vítimas usavam chamaram a atenção do criminoso, além disso, pediu para que mulheres prestassem mais atenção nas vestes. Tais comentários causaram revolta na população.

Ainda na terça-feira um grupo de mulheres repudiou nas redes sociais a postura do delegado quando ele falou “entre aspas”, que séria plausível um feminicídio diante de uma briga entre marido e mulher.

O comportamento de Rhudson causou grande repercussão e revolta na população guanambiense e na região.

CONFIRA ABAIXO A NOTA DA OAB SUBSEÇÃO DE GUANAMBI

A Diretoria Executiva da Ordem dos Advogados do Brasil Subseção de Guanambi-Ba, que alberga volição sobre a categoria aderida na sua circunscrição territorial, cientificada da entrevista, no termo de tempo de 14/12/2021, da Autoridade Policial condutora, a época, do Inquérito Policial para se apurar a autoria do crime que impactou todo a microrregião de Guanambi, quando pesamos que já se viu de tudo, mas uma jabuticaba brota.

Prima facie, na faceta da soberba e no tom jocoso, em passagens das locuções, que não se amoldam na rigorosa impessoalidade, serenidade, discrição, que se exige dos agentes públicos, sobretudo, diante do impacto concentrado em toda comunidade pela brutalidade do crime.

Acalentar, relembrando, não cabe a agente público, que alberga meramente a imposição nas cinéticas de suas funções investigar, colhendo provas, fatos e circunstancias, opinando na materialização de quem acredita ser o sujeito de ter cometido o delito, indicando a adequação do factum a previsão abstrata legiferante do tipo penal, exercer juízo de futurologia acerca de eventual tese de defesa, que seria “furada”, pois o “titio sabe presidir um inquérito” .

A defesa técnica advém de juízo de racionalidade do advogado na preservação das faculdades de seu constituinte, menoscabo a esta, sobretudo por agente publico, no exercício de suas atribuições, rompe com o conjunto de atividades do cargos, no mínimo fraturando a urbanidade, centrada na cooperação, respeito, entre os diversos atores jurídicos que aderem o complexo da práxis da ordem jurídica Pátria. Em nível mediato, desrespeita toda a coletividade, pois a salvaguarda desta, do arbítrio estatal é a Advocacia .

Ainda, incursionar sobre vestes do gênero feminino, insinuando que o eventual libido, que teria motivado o delito, deriva do antecedente, é remanescer com a superestrutura do patriarcado, em que a mulher era tida como objeto, e, não sujeito, mas, “o que veste um estupro é a ignorância herdada de séculos” (Inde Stefania Girardi Rossato) .

Assim, a Diretoria da Subseção da OAB-BA de Guanambi, repudia, com veemência, os silogismos dantes postos, incompatíveis com o comportamento que se exige de agente publico .

GBI-BA, 15/12/2021

Edvard De Castro Costa Junior

Presidente Da Subseção da OAB-Ba em Guanambi