Familiares de Antonio José Trocoli da Silveira, morto na noite de quarta-feira (15), após uma ação policial, questionam a versão da PM. Os familiares do servidor do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia negam que ele tenha sacado um simulacro de arma de fogo durante abordagem.

O homem era pai do lutador de MMA Antônio “Malvado” Trocoli. Mais cedo, em uma de suas redes sociais, o lutador postou uma série de publicações em uma rede social, onde contesta a versão da PM. Ele divulgou imagens de um vídeo com o suposto momento da operação que resultou na morte do pai. Nas imagens, um homem, que seria Antonio José, aparece com as mãos na cabeça. Em uma das imagens, onde não é possível ver o homem rendido, tiros são ouvidos. O lutador escreveu nos vídeos: ‘Com a mão na cabeça? Isso é defesa aonde?’. Vídeo mostra pai de “Malvado” com as mãos na cabeça, antes de morrer:

Em contato com o g1, o lutador se mostrou revoltado com a situação. “Ninguém havia contestado, mas agora tem o vídeo. O vídeo mostra o que aconteceu, mostra meu pai rendido. Nós, da família vamos tomar providências”, contou o lutador. Antônio “Malvado” Trocoli está retornando para Salvador, onde deve chegar por volta de 1h desta sexta (17). O enterro do servidor do TCM será na sexta-feira (17), às 15h no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. Antonio era casado e além de Antônio “Malvado” Trocoli, era pai de outras três filhas. O irmão do servidor, Álvaro Silveira também questiona a versão da PM. “Eu não posso acreditar e não quero acreditar que um homem de 56 anos ia apontar uma arma de brinquedo para não sei quantos policiais. Tem que saber o que aconteceu. Tudo tem que ser apurado”, disse Álvaro.

Versão da PM

A Polícia Militar afirma que Antonio José estaria agredindo pedestres em via pública na praça. Uma viatura teria ido ao local e ao identificarem o homem, os PMs teriam ordenado que o Antonio José colocasse as mãos sobre a cabeça para a realização de uma abordagem. Porém, ele teria sacado uma arma de forma abrupta, e os militares reagiram. Ele foi baleado.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou a socorrer Antonio José Trocoli da Silveira para o Hospital Geral do Estado, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu. A PM diz que após a ação, foi identificado que o objeto usado por Antonio José era um simulacro de arma de fogo. A ocorrência foi registrada na Corregedoria da Polícia Militar. O presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Contas dos Municípios se mostrou surpreso com a situação. Segundo ele, Antonio era funcionário do TCM há mais de 30 anos. “Estamos surpresos. Soubemos por volta das 9h, não tem ainda maiores detalhes. Ele era uma pessoa totalmente pacífica, educada e calma. Ele trabalhava no setor de protocolo do TCM há mais de 30 anos”, disse Manoel Augusto. (G1 Bahia)